In Ensino, Saúde

Esvaziadas por discursos políticos, Educação e Saúde encontra-se além do valor de troca, pelo qual são acometidas durante os períodos eleitorais. No topo das reivindicações populares, tais demandas devem ser pensadas como partes que se inter-relacionam a todo momento, ou seja, o desenvolvimento da Educação está diretamente relacionado os efeitos produzidos pela atuação da Saúde Pública e vice-versa. Apropriando-se do senso comum, sem saúde, não se aprende. Melhor, não se apreende. De igual modo, como podemos pensar na perpetuação da saúde, aonde a educação não chega?

Como exemplo, basta se afastar dos centros da cidade de São Paulo, para poder observar as dificuldades vivenciadas pelos poucos agentes de saúde que atuam nas regiões mais afastadas e vulneráveis do município em questão. O empenho de tais profissionais, embasados mais numa vocação, quase que missionária, do que nas condições de trabalho oferecidas, nem sempre dão conta quando se depara com a falta de entendimento de pessoas que não tiveram nenhum tipo de educação formal, as quais muitas vezes, não conseguem entender o receituário passado. Somam-se a tais inabilidades, as crendices que insistem em permanecer no imaginário dessa população que, acrescidas pela falta de informação, corroboram com a ineficácia dos esforços desses agentes.

Por outro lado, ainda nesse contexto de alta vulnerabilidade, verifica-se que mesmo entre aqueles que passaram ou estão na escola, quando não há atendimento de saúde, nem que seja só orientação, é difícil pensar em Saúde Pública. Vide o exemplo da acentuada recorrência da gravidez entre as adolescentes de tais regiões. Fato este que acarreta o encurtamento da vida escolar dessas meninas. De igual modo, a frequência escolar é prejudicada com a decorrência de surtos de doenças provenientes de condições inadequadas de habitação ou do manuseio da água e dos alimentos.

Sendo assim, fechar uma escola, entre outras coisas, piora as condições de vida de uma criança, tendo em mente que diminuirá suas horas de sono, de brincadeiras, que aumenta sua exposição a diversos tipos de poluição, acarretando, consequentemente, danos a sua saúde. Por conseguinte, fechar um hospital ou um posto de saúde, diminui a frequência escolar, pensando no tempo dispendido para se chegar a outras localidades, assim como dificulta o acompanhamento das vacinas, aumentando a possibilidade de surtos nos ambientes escolares, entre outros efeitos.

A despeito da utilização dessas situações extremas nesta rápida tentativa de explicar a interligação entre Educação e Saúde, este cenário ainda faz parte da nossa realidade. Entender tais temas de forma holística, contribui para uma sociedade menos desigual. Equipamentos de Saúde e de Educação devem andar de mãos dadas ao se planejar e implementar políticas públicas. Portanto, não deve ser tratado como um dilema, mas como lados de uma mesma moeda.

 

Joelma Melo da Silva
Mestre em Saúde Pública e Bacharel em Ciências Sociais

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