Toda pessoa que é admitida em um serviço de saúde busca a resolução de seu problema, porém, o que muitos não sabem é que, ao entrar em um hospital, ela está também exposta a riscos relacionados com o cuidado em saúde. Por isso, as instituições precisam garantir a segurança do paciente, que é definida como a redução aceitável do risco de dano desnecessário, associado à assistência médica.
O avanço das tecnologias em saúde têm feito o cuidado se tornar cada vez mais complexo e efetivo, porém, ao mesmo tempo, ele tem se tornado potencialmente mais perigoso. Dessa forma, é imprescindível que a segurança do paciente seja levada em consideração para o alcance de uma assistência de qualidade.
No texto de hoje, falaremos sobre a relação entre segurança do paciente e qualidade no serviço de saúde, variáveis que caminham sempre juntas. Acompanhe!
Paciente como prioridade do cuidado
Pode parecer óbvio, mas um dos pontos mais importantes relativos à segurança do paciente é sempre colocá-lo como a prioridade do cuidado, em todos os momentos da assistência (diagnóstico, tratamento, cura e acompanhamento). Isso significa que outras variáveis relacionadas ao cuidado deixam de ser centrais e passam a auxiliar a visão integral e focada no paciente.
Para que essa abordagem funcione, é preciso promover, dentro das instituições, a parceria entre pacientes, familiares e profissionais de saúde. Além disso, os próprios pacientes precisam estar cientes dos seus direitos no hospital, como:
- atendimento apropriado e eficaz para seu problema;
- assistência à saúde que respeite suas vontades e necessidades;
- tratamento humanizado, acolhedor e sem julgamentos;
- esclarecimentos a respeito de informações importantes relativas à sua saúde.
Os pacientes e familiares devem ser envolvidos no tratamento da pessoa, em vez de as decisões serem feitas de forma vertical do profissional de saúde para o usuário.
Outro ponto importante diz respeito ao envolvimento do paciente com a sua própria segurança. Isso ajuda os profissionais a não cometerem erros e aumenta a garantia de um cuidado de qualidade.
Equipe bem capacitada e estruturada
Um serviço de saúde nada é sem a sua equipe de profissionais, e a qualidade da assistência prestada reflete a capacitação desses funcionários. Manter uma equipe bem preparada e estruturada é essencial para oferecer um serviço de qualidade. O ideal é formar uma equipe técnica de alto nível, com uma equipe multidisciplinar (diferentes áreas de saúde juntas) que pode olhar para a saúde do paciente de maneira mais abrangente.
O trabalho em equipe bem-feito é considerado um dos pontos mais importantes na garantia da segurança do paciente, pois:
- a equipe consegue se comunicar de forma clara e eficaz, trocando informações de saúde importantes para a continuidade do cuidado do paciente e sua segurança (dose e hora da medicação, presença de alergias, sinais de deterioração clínica, por exemplo);
- uma boa relação entre os membros da equipe facilita que os profissionais peçam ajuda uns aos outros em momentos de dúvida, de forma a não executar ações com as quais não se sentem seguros.
Os gestores dos serviços de saúde devem investir em cursos, treinamentos e capacitações, que são o que conferem o conhecimento teórico e prático para que os profissionais possam atuar de acordo com protocolos consagrados e com segurança.
Cultura de segurança
A cultura de segurança em um serviço de saúde diz respeito a um ambiente no qual todos os trabalhadores assumem responsabilidade pela sua própria segurança, segurança dos colegas, pacientes e familiares. Outras características dessa cultura incluem:
- a segurança é priorizada em relação a metas financeiras e operacionais da instituição;
- os gestores e profissionais encorajam e recompensam a identificação, notificação e resolução de problemas relacionados a segurança do paciente;
- são proporcionados recursos para a manutenção e estruturação da segurança;
- o aprendizado organizacional é promovido após a ocorrência de algum incidente ou erro em saúde.
O serviço de saúde com uma cultura de segurança deixa de acreditar que “o profissional de saúde não erra”, e passa a aceitar que todos os profissionais têm o potencial de errar, porém há maneiras de prevenir e corrigir esses erros. O erro deixa de ser punido e passa a ser entendido e investigado.
Essa maneira de pensar ajudar a aumentar a segurança e a qualidade nos serviços, pois há maior transparência e oportunidade de melhora.
Gestão estratégica para atuação da equipe
A atuação da equipe de saúde com foco no paciente e voltada para segurança e qualidade depende da gestão estratégica por parte dos gestores. Eles, como líderes, têm o papel de incentivar os profissionais de saúde a aplicarem as medidas de segurança, fazendo-os se sentirem protegidos e apoiados em todas as questões relativas ao ambiente de trabalho.
Algumas ações de gestão estratégica para garantir segurança e qualidade são:
- criação de Núcleos de Segurança do Paciente: instâncias previstas pela Anvisa que devem estar presentes nos serviços de saúde, com objetivo de promover e implementar iniciativas voltadas à segurança do paciente. O Núcleo atua como articulador e incentivador dos outros departamentos do hospital que gerenciam riscos e ações de qualidade;
- criação de um plano de segurança do paciente: visa representar um ciclo de aprendizagem e de melhoria contínua para os profissionais de saúde. Ajuda na identificação, prevenção, detecção e redução do risco, além de recuperação do incidente e resiliência do sistema.
- inclusão do tema de segurança do paciente na educação permanente: as tecnologias que surgem relativas ao tema devem ser compartilhadas entre gestores, chefes de serviço e outros profissionais.
Estratégias para segurança do paciente
A Organização Mundial de Saúde (OMS) junto à Join Commission International (JCI) criaram as metas internacionais de segurança dos pacientes. Os estabelecimentos de saúde podem usá-las como base para definir suas estratégias de segurança. Elas são:
- identificação correta do paciente: previne erros de administração de medicação e realização de procedimentos nos pacientes errados. Todo paciente deve ser identificado com pulseira com dois itens identificadores;
- comunicação efetiva: o cuidado depende de uma comunicação clara entre os profissionais de saúde. Devem ser criados formulários, protocolos e outras ferramentas para auxiliar a comunicação escrita e verbal;
- melhoria na segurança dos medicamentos de alta vigilância: são as medicações que apresentam maior risco se administradas erroneamente. Seguir os 5 certos das medicações: paciente certo, medicamento certo, hora certa, dose certa e via certa;
- cirurgia segura: garantir que as cirurgias sejam feitas no paciente certo, local certo e procedimento certo. Utilizam-se listas de verificações antes e depois da cirurgia;
- redução do risco de infecções associadas aos cuidados em saúde: inclui monitoramento de antibióticos e práticas de prevenção de infecção;
- prevenção de danos decorrentes de quedas no ambiente hospitalar: avaliação do ambiente e das condições de cada paciente.
A segurança do paciente e a qualidade do serviço devem ser prioridades do gestor de qualquer estabelecimento se ele deseja aprimorar a assistência e aumentar a satisfação dos usuários. Uma boa alternativa para esses profissionais é realizar uma pós-graduação em Gestão de Serviços de Saúde, que os prepara melhor para o planejamento e execução da gestão.
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